Gostava mesmo é de soltar pipa. Às vezes jogava bolinha de gude, rodava pião e sempre jogava bola com a turma. Mas nada o deixava mais feliz que soltar pipa.
E não era só bom de empinar não. Fazia pipas maravilhosas. Desenhava nelas, misturava cores, pendurava pequenos soldados de para-quedas na rabiola. E ainda assinava, como se fosse uma obra de arte. Personalizava até a latinha para a linha.
Ia para o pasto, preparava tudo e então corria. Corria feito um doido para a pipa subir. Sabia que não precisava de tudo aquilo para colocá-la no ar, mas adorava toda a encenação que fazia. E com ela no ar, era um verdadeiro piloto. Dava meias luas, girava no eixo, quebrava a subida. Era como assistir um avião.
Sempre que podia voltava ao pasto, mesmo que sozinho. E não respodia direito quando estava empinando. Ficava hipnotizado, extasiado por horas à fio. Sua mãe nem se preocupava mais quando ele passava um pouco da hora. Sabia exatamente onde estava.
E todos diziam:
- Ah, esse menino já tem destino. Vai ser é piloto de avião, quem sabe até astronauta!
E a mãe sempre respondia com um riso leve:
- Até parece! Morre de medo de altura, o coitadinho.
A mãe sabia. Ele soltava pipa porque era o mais perto que chegaria de voar.
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